O relatório da Anthropic sobre impacto da IA no trabalho, publicado em 2025, trouxe dados que o mercado executivo ainda está digerindo. A mensagem central não era que IA substituiria trabalhadores — era mais específica e mais perturbadora: IA está substituindo camadas intermediárias de trabalho cognitivo em velocidade maior do que qualquer tecnologia anterior. As consequências para estruturas organizacionais e para as carreiras executivas que as habitam estão se tornando visíveis.

O que está mudando no organograma

O primeiro impacto da IA na carreira C-Level não é na posição do CEO — é nas camadas que reportam a ele. Organizações que adotam IA generativa em funções de análise, relatório e síntese reduzem camadas gerenciais entre 15% e 30% em 18 meses. CFOs que mantinham equipes de 40 analistas operam com 28. CHROs com estruturas de 60 operam com 42. O executivo que antes gerenciava 40 analistas gerencia 28 humanos e sistemas de IA que fazem o trabalho dos outros 12. Essa transição exige competência que a maioria dos C-Levels não foi preparada para desenvolver.

O que conselhos estão pedindo em 2026

O IBRA tem acesso privilegiado ao que conselhos demandam porque atende os executivos que buscam essas posições. O dado mais consistente de 2025-2026 é que IA literacy subiu do décimo para o segundo lugar na lista de competências que conselhos buscam em novos CEOs — atrás apenas de visão estratégica e à frente de gestão de crise e internacionalização.

Isso não significa que conselhos querem CEOs que sabem programar. Significa que querem CEOs que entendam como IA muda sua indústria, que tenham conduzido transformações reais com a tecnologia, e que saibam gerenciar os riscos — reputacionais, operacionais, regulatórios — que a adoção de IA traz.

73%
dos conselhos brasileiros incluem IA literacy como critério formal em processos de seleção de CEO em 2026

Quais funções executivas estão mais expostas

Alta exposição: CFOs cujo valor principal era síntese e relatório financeiro (e não visão estratégica), CTOs de empresas cujo core tecnológico foi commoditizado pela IA, e COOs de operações baseadas em processos repetitivos de alto volume.

Média exposição: CHROs que ainda não integram IA em talent acquisition e analytics, CMOs que não dominam automação de conteúdo e personalização em escala, e CSOs cuja estratégia não incorpora cenários de disrupção por IA.

Baixa exposição: CEOs com forte capital relacional e visão de negócio, executivos com expertise em transformação cultural, e qualquer C-Level que seja genuinamente irreplicável por IA nos próximos cinco anos.

O que permanece humano e irreplicável

Quatro elementos são constantes. Julgamento sob incerteza: IA é boa em otimizar dentro de parâmetros conhecidos e péssima em navegar ambiguidade estratégica real. Confiança interpessoal: negociações complexas, construção de cultura, gestão de crises — tudo isso ainda depende de presença humana. Responsabilidade: alguém tem que assinar o balanço, enfrentar o conselho, responder ao regulador. Visão e propósito: a capacidade de articular para onde a organização vai e por que isso importa continua sendo profundamente humana.

"Eu sabia que precisava me posicionar em IA mas não sabia como fazer isso sem parecer que estava blefando. O IBRA me ajudou a construir credibilidade real, não apenas narrativa."

— CEO em transição, setor de serviços financeiros, 2025

Como o IBRA posiciona executivos nesse contexto

O Prime Strategy Executive foi atualizado em 2025 para incluir dimensão explícita de IA competency no posicionamento. Não é linha no currículo — é trabalho de substância: quais transformações reais o executivo conduziu, que resultados produziram, e como essa experiência é narrada de forma que conecte com o que conselhos e comitês de busca estão procurando. O executivo que chega dizendo "não fiz nada com IA ainda" recebe diagnóstico honesto: há uma janela que está fechando. O que fazemos com essa janela é o trabalho da fase de posicionamento.